Por: Jonatan Fontes
A política baiana caminha para um 2026 de alta voltagem, onde a engenharia das chapas majoritárias em Salvador provoca tremores imediatos no interior. O epicentro de um desses abalos é Pojuca, cidade onde a fidelidade partidária e a gratidão pessoal estão prestes a entrar em rota de colisão. No centro do tabuleiro está o Senador Ângelo Coronel e sua histórica, quase umbilical, parceria com o grupo político do Prefeito Luizinho Trinchão.
O cenário macro é de um "engarrafamento" de gigantes. Com o PT decidido a lançar uma "chapa pura" para o Senado, blindando as candidaturas de Jaques Wagner à reeleição e do ex-governador Rui Costa, o espaço para Ângelo Coronel no grupo governista evaporou. Coronel, político pragmático e dono de uma das maiores estruturas de chão da Bahia, não aceita o ostracismo. Sua movimentação em direção ao União Brasil, costurando apoio a ACM Neto, não é apenas um blefe; é uma manobra de sobrevivência que redesenha as alianças locais.
Se confirmada a ida de Coronel para a oposição e o desembarque de seus filhos, o deputado federal Diego Coronel e o estadual Ângelo Coronel Filho do PSD, cria-se em Pojuca um dilema shakespeariano para o Prefeito Luizinho Trinchão.
O DILEMA DA FIDELIDADE
Luizinho, filiado ao PSD, comanda uma prefeitura alinhada ao Governo do Estado. Mais do que isso, governa ao lado do vice-prefeito Lenivaldo Palmeira, quadro do Partido dos Trabalhadores (PT). A lógica administrativa pede prudência: romper com a base governista seria fechar as torneiras, principalmente dos convênios estaduais. Por outro lado, a lógica da gratidão e da parceria política aponta para os Coronel, que há anos movimentam emendas e destravam burocracias para o município.
Como se comportarão as lideranças de Pojuca diante desse divórcio litigioso entre Coronel e o PT?
A TESE DAS "DUAS VELAS"
Na política real, raramente se vê o suicídio político por honra. O cenário mais provável não é uma ruptura estrondosa, mas uma "traição silenciosa". É a velha tática de "acender uma vela para Deus e outra para o Diabo".
As autoridades de Pojuca tendem a adotar uma postura híbrida. Oficialmente, no palanque manterão o discurso alinhado à chapa do Governo do Estado (PT/PSD), preservando a harmonia com os petistas a nível estadual e com o vice-prefeito Lenivaldo, garantindo o fluxo de caixa da gestão. Porém, nos bastidores, na "política de varanda" e nos grupos de WhatsApp, a máquina municipal poderá trabalhar para garantir a votação de Ângelo Coronel.
O RISCO DA FISCALIZAÇÃO PETISTA
Essa manobra, contudo, é de altíssimo risco. Diferente de pleitos anteriores, o PT local, representado pelo vice-prefeito, mas principalmente o PT estadual, esse sob o chapéu dos ex-governadores não assistirá passivamente a um apoio duplo. Com Rui e Wagner precisando de cada voto para garantir as duas cadeiras no Senado, a cobrança por fidelidade será brutal. Se Luizinho Trinchão tentar servir a dois senhores, corre o risco de criar uma crise institucional dentro da própria prefeitura, transformando aliados de gestão em inimigos eleitorais.
E AGORA?
Ângelo Coronel possui em Pojuca o que chamamos de "voto de estrutura", aquele que depende da mobilização de lideranças locais. Sem o empenho da máquina do prefeito, sua votação desidrata. A pergunta que fica para o eleitor e para os analistas é: o grupo de Trinchão terá a ousadia de desafiar a hegemonia petista para salvar o mandato de seu antigo parceiro, ou o pragmatismo da caneta falará mais alto, deixando Coronel à própria sorte na cidade?
Em Pojuca, 2026 já começou, e a escolha do prefeito definirá não apenas o futuro de seus aliados, mas o tamanho de sua própria autonomia política.
CHARGE - O DESENHO DO PODER


Votou contra pec da segurança, votou contra os trabalhadores vamos trabalhar até 65 anos, esse verme que nos traiu esse é o Senador coronel
ResponderExcluirSegundo "boatos", quem dita as ordens do mandado é o ex-prefeito Duda. Talvez descobriremos se Luiz é só mais um soldadinho ou não com essa eleição.
ResponderExcluirSerá que o soldado vai trair o coronel?